Vim, Vi e Venci Meus Medos em New York


Até meus 29 anos nunca havia cogitado a ideia de um dia ir para o exterior. De repente, aos 30 anos estou voando pela primeira vez com destino a Paris. Fui com alguns amigos e um deles me falou: “Se você tomar gosto por viagens, seu passaporte nunca mais ficará sem carimbos.” Mais de 1 década se passou e esta fala é verdadeira, exceto que agora os passaportes são eletrônicos e já não recebem carimbos.
Paris me deu uma sensação e euforia que eu jamais havia sentido e passado alguns meses do retorno meu corpo exigia novas doses de adrenalina e excitação.  Próximo destino? New York City! Eu amo cinema, sou fã de Friends e vários dos meus filmes favoritos se passam na Big Apple, então este era um dos lugares para eu ir. Convidei várias amigas para embarcar nesta jornada comigo, mas a cada escusa e recusa, eu me convencia de que este era o meu sonho. Confesso que pensei em desistir por medo em ir sozinha, mas os sonhos são o combustível da vida e como eu poderia desistir do meu? Segui em frente e comprei a passagem. Logo descobri que diárias de hotel na metrópole tem alto custo e um dia já desanimada em procurar encontrei o site Booking e lá o Chelse Hostel. Pelas fotos e informações do site o lugar parecia simples, organizado, legal, com localização excelente em Manhattan e com diárias a preços incríveis. Fiquei com medo de ser uma “furada” e conversei com um amigo, o Ivam, que havia morado por 10 anos em uma cidade próxima a Nova Iorque. Ele falou para não me preocupar, pois o Chelse era um bairro bem tranquilo e que a cidade em geral era ideal para mim, especialmente pela segurança. Mas, para me tranquilizar ele disse que ligaria para o Hostel para obter informações. Ele me incentivou, disse para ficar tranquila e me hospedar no Chelse Hostel, pois teria uma experiência incrível. Além deste incentivo, o Ivam me deu dicas fabulosas de passeios, comidas, ligações e comunicação na terra do Tio Sam.
À medida que a data do embarque se aproximava (julho de 2012) , eu tinha crises de pânico em me imaginar sozinha nesta viagem e especialmente porque o meu os anos na escola de inglês não me tornaram fluente, claro que por falta de dedicação de minha parte. Finalmente chegou o dia e fui. Ao chegar à imigração, um oficial nada simpático e ainda por cima com cara fechada colocou a prova minhas habilidades de comunicação em inglês. Fique surpresa por entender a primeira frase e ainda mais por conseguir responder, na hora de falar quantos dias ficaria lá esqueci como falar números em inglês. No final, como boa brasileira tudo deu certo, inclusive pegar táxi e fazer check in no Hostel.
Após minha primeira noite no Chelse, que por sinal era um lugar realmente simples, mas muito agradável (só por precaução reservei quarto individual), eu me sentia um bebê dando seus primeiros passos prestes a desbravar e conquistar o mundo.  Lá conheci pessoas de todas as idades e nacionalidades: um alemão de nome Martin que me ajudou a levar as malas para o quarto que ficava no terceiro andar e sem elevador, um simpático jornalista brasileiro que havia morado por 8 anos lá e agora voltava todos os anos para rever amigos e fazer compras, uma jovem espanhola, um família de japoneses e outros tantos que já nem me lembro mais. O jornalista sentou comigo na mesa para o breakfast e ao me cumprimentar reconheceu meu sotaque curitibano. Ele me deu ótimas dicas de metrô, ingressos para a Broadway e passeios, além de me tranquilizar da segurança do local e da cidade.
Ao regressar para o Chelse naquele primeiro dia de passeios, eu estava exausta, afinal estava em pleno verão nova-iorquino com dias muito quentes, mas extasiada com cada cena, lugar, cheiro e sabores experimentados em Nova Iorque. Cada lugar me remetia uma cena vista em um filme, novela ou em Friends. Eu me sentia como Júlio César: “Vim, vi e venci.” Mas como não há glória sem batalhas, em 3 dias esta sensação se transformou em angustia e frustração. No segundo dia em Nova Iorque percebi algo como uma alergia nos meus tornozelos e a principio pensei que era brotoeja do calor. Em mais alguns dias está suposta alergia havia se espalhado pelas duas pernas dos tornozelos até os joelhos e queimavam como febre. Quando por duas vezes fui parada na rua por senhoras que me perguntavam o que eu tinha nas pernas – algo que americanos normalmente não fazem – eu entrei em pânico. Recorri ao seguro de viagem que me localizou um consultório médico a 3 quarteirões da minha hospedagem. Medicada e com prescrições, voltei ao meu quarto, mais tranquila quanto ao meu estado médico, porém frustrada com a condição e ciente de que a situação inspirava cuidados, mesmo eu e a médica não nos entendendo muito bem – maldito inglês e espanhol. Eu me senti fragilizada, desamparada, com medo e chorei muito sozinha naquele quarto. No dia seguinte, não encontrei mais o jornalista brasileiro para conversar e pelo menos desabafar um pouco. Tomei café e subi para o quarto. Depois de 1 hora, pensei no esforço para chegar até lá e que não poderia desistir. Troquei de roupa e sai, lembrando-me das prescrições médicas. Mais uma vez segui em frente para não desistir do meu sonho.
Nos próximos dias, conheci alguns brasileiros, amigos de uma tia do tempo em que ela morou por lá e estar na companhia deles foi um bálsamo para mim. Depois de 11 dias de passeios e superado o trauma da inflamação nas pernas, decorrente de problemas de circulação, eu passeava na icônica Ponte do Brooklyn, num lindo dia de muito sol, quando senti um tranco e fui arremessada no chão. Eu pensei que fora vitima de uma tentativa de roubo, mas não, eu fui atropelada por um ciclista embriagado. Na confusão, meio tonta e com as pessoas me ajudando e falando sem eu entender nada - porque nestas horas só no idioma materno para você compreender alguma coisa – eu me levantei e constatei que não estava ferida. Estava com a minha bolsa e logo uma moça me entregou a minha câmera fotográfica, porém percebi que estava sem o cartão de memória. Eu estava sem memória, ou seja, sem os 11 dias de registros dos lugares fantásticos em que estive.  Fiquei brava e fiz o ciclista me ajudar a procurar pela ponte, as pessoas começaram a procurar também e outras me perguntavam o que estávamos procurando. Hoje eu rio sozinha da cena porque eu mal conseguia me comunicar em inglês naquela ocasião e quem dirá naquelas condições, mas mobilizei o ciclista, que se machucou mais do que eu e outros turistas a procurarem um chip.  Apesar de todo este esforço é claro que não encontramos. A essa altura desisti de ir a Maryland visitar uma amiga de infância que há anos mora lá e a convite da Sônia (que se tornou uma grande amiga para mim) conclui o restante da minha temporada em Nova Iorque na casa dela em Queens. Através da Sônia, fiz outros dois grandes amigos: Margarida e Eduardo.
Regressei ao Brasil, mas não a mesma mulher que partira 17 dias antes rumo a New York. Voltei de lá:
  1. Determinada a nunca desistir dos meus sonhos e objetivos, mesmo que tenha que alterar o curso para chegar ao fim.
  2. Não permitir que o medo ou preconceito me paralisem e me impeçam de ter novas sensações e experiência, pois estas me tornam mais resilientes.
  3. Melhorar minha comunicação em inglês, parar de ter medo e vergonha de falar, porque errando é que se aprende e uma comunicação mesmo que básica amplia suas experiências.
  4. Jamais deixar de fazer uma coisa ou mesmo uma viagem por falta de companhia. Viajar “by myself” foi extraordinário. Eu descobri que em algumas ocasiões é bom ter companhia para conversar e compartilhar, mas em outras é igualmente recompensador estar só. Você testa seus limites físicos e psicológicos.
  5. Nunca viajar sem seguro de viajem.
  6. Não dar moral para tipos latinos bonitões, simpáticos e norte americanos.
Eu me apaixonei pela cidade! E tudo que eu vive lá em 2012 só me fortaleceu e deixou ainda mais determinada e confiante. Mas este caso de amor com NYC não parou por ai. Depois desta, tive outros momentos lá.





Grafite no Chelse

High Line

Pier 17

Central Park

Ponte Brooklyn

Greenwich Village  - Washington Square Brownstones

Empire State Building


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